
O filme já foi comentado em tudo quanto é blog de cinema por aí mas só hoje eu o assisti. Nunca gostei do Clint Eastwood, para mim como ator ele nunca passou de um charlatão, nunca me convenceu. Se fosse dar um conceito para ele como ator seria entre 'ruim' e 'sofrível'. Esforcei-me para nunca assistir a nenhum filme dele como diretor e quando por fim me vi seduzida por tudo o que disseram do filme imaginei que teria que comprar caixas e caixas de lenços de papel para assistir a esse dramalhão.
Imaginei que todos os clichês mãe-sofredora-que-perde-o-filho seriam empregados e usados até a exaustão, mas me enganei. Longe de despertar lágrimas piegas, o filme desperta muitos sentimentos: revolta, raiva, solidariedade, mas em nenhum momento o filme resvala para os recursos batidos de Hollywood para fazer nascer lágrimas em nossos olhos.
Discordo quando dizem que 'o filme é a história de uma mulher que perde seu filho e tem como único objetivo encontrá-lo, desafiando as autoridades de sua cidade'. Trata-se de muito mais, o filme apesar de ser ambientado nos anos 20/30 é atualíssimo, fala da sociedade e de seus pecados, dos abusos do poder, da luta pela mudança que começa sempre com 1 e não com milhões.
A heroína, longe de ser uma heroína é apenas uma mulher. Que não carrega bandeiras nem se deixa intimidar pela lei do mais forte. A troca que querem lhe impingir e que ela não aceita de forma alguma comove a todos, que aos poucos aderem à sua batalha pois entendem que não se trata apenas de encontrar um garoto. Trata-se de reencontrar a dignidade e abandonar a passividade com que aceitamos aquilo com o qual não concordamos.
Dizem que uma andorinha só não faz verão, mas o filme mostra que a primeira andorinha faz sim, o verão, a mudança, a revolução. E em nenhum momento essa idéia é esfregada em nossas fuças como bandeira, aliás o filme não ergue bandeiras e a própria heroína age como uma pessoa comum e não se arvora em Messias que inflama multidões. A simplicidade de sua resistência ao poder inquestionável da autoridade policial, a singeleza com que se recusa a aceitar o que diverge de seus valores é muito melhor assimilada pelas pessoas do que discursos inflamados e retóricas de egos inflados.
Quando o personagem tem vida e sentimentos próprios não há necessidade de o diretor tomar partido nem nos obrigar a escolher lados. E Clint Eastwood em nenhum momento força a barra ou faz sentir sua mão de diretor, é como se a história tivesse vida própria e flui diante de nossos olhos diretamente para nosso coração. E com o coração, muito mais que com a razão sabemos de que lado está a verdade e que rumo tem que ser seguido.
O filme nos leva à reflexão e nos obriga a uma retomada de valores e ao questionamento. Em algum momento no filme o encontro do filho passa para segundo plano, sem ser jamais deixado de lado. A dor nos faz cegos e egoístas, quando a sentimos não vemos mais nada. Não foi o caso da heroína que mesmo em sua dor suprema abriu os olhos para as dores que a cercavam e mesmo precisando de ajuda não hesitou em ajudar.
A sociedade precisa urgentemente de andorinhas. E de histórias como essa.
















